Encontrei um andante de sapatos vermelhos num autocarro.Invisivel, meio fantasma, incógnito e despreocupado, tal como todos os outros passageiros, de tal rotineira que a viagem provavelmente já se tornou.
Encontrei um andante de sapatos vermelhos num autocarro.
Barba ou cabelo?
Há ruas tradicionais que hoje se transformam. A rua do Almada, uma das mais activas em termos de comércio especializado está hoje a perder o característico tom duplo do dourado ou prateado dos metais e a ganhar casas com outras cores.

«Ver-te assim abandonado
nesse timbre pardacento
nesse teu jeito fechado
de quem mói um sentimento
E é sempre a primeira vezem cada regresso a casa
rever-te nessa altivezde milhafre ferido na asa"Cidade altiva, invicta magoada e ferida do abandono em que a deixamos. Dos brilhos dos monumentos cuidados que nos preenchem a vista, e da amnésia em que deixamos caír a essência de ser portuense. Essa bela rotina de tomar um cimbalino, correr de requitó para o autocarro. Comer um prego, beber um fino... Regressemos á cidade, ela está ali para nos abraçar. Olhemos para ela. Vistamos a pele de Hugh Grant em Notting Hill com alguma Julia Roberts desejosa de ser estrangeira na sua propria cidade.... Vale a pena o desafio! Eu tentei... e adorei!
Já não há jornais instituídos no Porto. O velho Comercio do Porto é agora apenas um arquivo de memórias, e o Primeiro de Janeiro já não respira com a força do granito portuense.
Por entre ruas e calçadas, janelas espelhadas de varandas cheira a poemas no ar. Poemas iluminados por olhares e sorrisos que dão cor aos cenários. São poemas que eternizam momentos e locais, poemas que aliviam dores, imagens que aconchegam as nossas vidas. Quantos de nós não desejamos ver poemas assim... a pairar no nada, como se fossem mensagens para nós. O mundo é assim, feito de pequenos sinais, e que muitas vezes parecemos não lhes dar atenção. Ilustrem as fotos com poemas e com pessoas... e os novos dias serão certamente os melhores.
Publicidade, para todos, para nos encher os olhos, de coisas que já não se compram no quotidiano.
Não é facil olhar o tempo passar. Ver como tudo continua movimentado e frenético á nossa frente, e nós seguimos a cadência dos dias como um semáforo.... uns dias no vermelho, outros no verde, e aqueles dias que parecem não ter fim e nos deixam a lutar entre o bem e o mal - do amarelo do semáforo.
Do início conseguimos ver o dificil que vai ser atravessar um corredor, a caminhada, o espaço que nos envolve num misto de ruína e decadência... mas ao fundo, a luz focada de volume de ar para respirar parece dar forças para a travessia. São pontes sem rio, corredores sem luz que nos empatam para o vazio, para duas paredes que por outras duas se parecem multiplicar. Mas há uma entrada, e uma saída. De qual estaremos mais perto? Para qual queremos caminhar?
Todos temos na vida luzes assim, como a da janela que se apaga e parece fugir ao padrão. Mas se se apaga simplesmente uma luz, e não é unica, e tudo á nossa volta continua iluminado e com cor... só nos resta abrir a janela e respirar as luzes e a cor que se transpira noutros lados.
Há a vontade de falar sobre papel, sobre o que fazemos dele e com ele... O que vamos riscando, escrevendo, traçando ou simplesmente rabiscando. São os nossos pequenos diários, os nossos vagos apontamentos, as nossas pequenas ideias e que não queremos que passem ao esquecimento. E fazemos por vezes que em torno delas se desenrole uma conversa, surja um movimento, ou apareça mais um copo na mesa para alargar o diálogo.
Há espaços como este, onde podemos ouvir música sem haver letra para a acompanhar. A letra das músicas é feita das conversas, das histórias que vagueiam pelas mesas. Letras feitas com os nossos pensamentos.
Assim passam as horas, as pessoas e os carros. Ficam os espaços, as recordações e as luzes de certos intantes, ou certos momentos. 





Com caixas estranhas como esta se começou a captar a memória das imagens no papel. Fotos um tanto ou quanto 'descontroladas' ou até mesmo resultados de improviso.


Há noites em que adormecemos nos nossos igloos no meio de tantos outros. Confessamos o dia á almofada, abraçamos os lençóis e cruzamos os pensamentos no branco das paredes, como passatempos, como enigmas que queremos decifrar.



Nao há nada como sorrir e ver as pessoas passar, é com insólitos intântaneos como este como vemos que tudo á nossa volta pode ser diferente. Que todos somos diferentes até na maneira de saír á noite.